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Novo centro da Fidelidade reforça ação climática

O lançamento do Estudo Nacional de Risco de Incêndios Florestais em Portugal foi um dos pontos altos do Impact Center for Climate Change, da Fidelidade. Em relação às alterações climáticas é preciso aproveitar já o conhecimento científico e agir

Novo centro da Fidelidade reforça ação climática

Menos diagnóstico, mais ação. Esta foi a mensagem central do encontro anual do Impact Center for Climate Change (ICCC), promovido pela Fidelidade, que decorreu no Técnico Innovation Center, em Lisboa. Num dia marcado pelo lançamento de um estudo inédito sobre o risco de incêndios florestais em Portugal e pelo debate sobre o papel da ciência, das políticas públicas e das comunidades locais na ação climática, os especialistas defenderam que proteger pessoas, patrimónios e territórios exige maior capacidade de antecipação, redução de vulnerabilidades e transformação do conhecimento científico em decisões concretas.

ICCC quer transformar conhecimento em ação

Na abertura, Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade, sublinhou que as alterações climáticas são hoje “um facto incontornável”, com fenómenos extremos mais frequentes e intensos, como ondas de calor, cheias, secas e incêndios, com impactos humanos, económicos e sociais crescentes. Perante este cenário, destacou que o ICCC “não nasceu para repetir diagnósticos”, mas para “transformar conhecimento em decisão e decisões em ação”, posicionando-o como uma plataforma de colaboração entre empresas, academia, entidades públicas e comunidades.

É fundamental que o risco seja bem medido, com mais informação e mais granularidade, para apoiar decisões mais eficazes.

Neste contexto, o balanço do primeiro ano de atividade e o roadmap do Centro até 2026 foram apresentados por Rui Esteves e Tomé Pedroso, colíderes do ICCC. Tomé Pedroso, Assessor da Comissão Executiva da Fidelidade e colíder do ICCC, começou por recentrar o debate climático nos dados científicos, lembrando que 2024 foi o ano mais quente de que há registo e que a média recente de temperaturas globais já ultrapassou, durante três anos consecutivos, o limiar de 1,5ºC face ao período pré-industrial. Esses factos, frisou, “produzem consequências”, traduzidas em perdas humanas e económicas cada vez mais significativas.

Já Rui Esteves, Diretor Geral Técnico Não Vida e Vida Risco da Fidelidade e colíder do ICCC, assumiu que a prioridade deste centro é “acelerar a ação climática” através do desenvolvimento e da partilha de conhecimento aplicado. “É importante que o risco seja bem medido”, afirmou, defendendo decisões mais baseadas em evidências e na existência de mais informação, mais granular.

O Impact Center for Climate Change não nasceu para repetir diagnósticos, mas para transformar conhecimento em decisão e decisões em ação.

Gestão dos fogos em destaque

A gestão dos incêndios rurais esteve em destaque na intervenção de Tiago Oliveira, presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), que comparou o desafio de reduzir os fogos a uma maratona que exige reformas estruturais e compromisso político contínuo. “Não basta falar de área ardida, é preciso falar de risco em euros”, afirmou, defendendo uma transição consistente para um modelo centrado na prevenção e na gestão integrada do fogo.

No fecho da intervenção, Tiago Oliveira resumiu a lógica de atuação da AGIF: “um pequeno fogo apaga-se com os pés, mas um grande incêndio apaga-se com a cabeça”.

Estudo integrado do risco de incêndio florestal

Um dos pontos altos do encontro foi o lançamento do Estudo Nacional de Risco de Incêndios Florestais em Portugal (ver caixa), promovido pela Fidelidade. Na sua apresentação, José Miguel Cardoso Pereira, professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia e colíder do projeto, explicou que os instrumentos atualmente disponíveis “olham apenas para a perigosidade”, deixando de fora “as consequências e as potenciais perdas e danos”, bem como uma abordagem prospetiva que integre cenários de alterações climáticas, de uso do solo e de padrões de ignição.

O novo estudo pretende colmatar essas lacunas através de uma metodologia integrada, que cruza perigosidade, exposição, vulnerabilidade e curvas de perda, produzindo mapas inéditos de risco de alta resolução, à escala de 100 metros.

Novo centro da Fidelidade reforça ação climática

Do lado da vulnerabilidade e das perdas, Domingos Xavier Viegas, professor catedrático da Universidade de Coimbra e corresponsável pelo estudo, sublinhou que o risco de incêndio não se esgota na floresta: “Os incêndios florestais são um problema que está connosco e que não vai desaparecer”, alertou o académico, destacando o impacto direto dos fogos sobre habitações, aldeias, a viabilidade do território e a segurança das pessoas. Conhecer melhor o risco, acrescentou, é uma condição essencial para prevenir, planear e apoiar decisões públicas e privadas mais informadas, promovendo uma partilha mais justa das responsabilidades entre cidadãos, Estado e setor segurador.

Nesta nave não somos apenas passageiros, somos também tripulantes.

Ciência e políticas públicas

A articulação entre ciência e políticas públicas foi também debatida num painel em que se sublinhou que o principal desafio na gestão e prevenção do risco de fogos já não é sobretudo tecnológico e cientifico, mas de governação, comunicação e capacidade de integrar mais conhecimento científico na decisão política. A ligação entre risco físico, decisões socioeconómicas e proteção financeira foi também aprofundada na intervenção de Maryam Golnaraghi, diretora de Clima e Ambiente da Geneva Association, com base no relatório Safeguarding Home Insurance. A especialista alertou para o agravamento do protection gap no seguro habitacional, num contexto em que as perdas económicas globais associadas a fenómenos climáticos extremos rondam os 100 mil milhões de dólares anuais.

Escala local e global

Já a importância da escala local esteve em foco no painel dedicado às comunidades, com representantes da Câmara Municipal de Lisboa, da Comunidade Intermunicipal do Oeste e do ICCC, que destacaram o papel das autarquias, da literacia de risco e da comunicação na redução das vulnerabilidades do território e do edificado.

O encontro incluiu ainda um painel dedicado ao apoio à investigação científica, com a apresentação de projetos de mestrado financiados pela Fidelidade.

Novo centro da Fidelidade reforça ação climática

No encerramento do encontro, Jorge Magalhães Correia, Chairman da Fidelidade, recuperou a “perspetiva orbital” para defender uma visão sistémica da ação climática. “Quando se olha para a Terra do espaço, ela não parece um conjunto de países, parece uma nave espacial”, afirmou, lembrando que “nesta nave não somos apenas passageiros, somos também tripulantes”.

O responsável defendeu que proteger não é apenas indemnizar, mas reduzir a probabilidade e a severidade dos danos, sublinhando que o ICCC será uma plataforma para transformar conhecimento em ação e reforçar a prevenção, constituindo parte da vantagem competitiva do setor segurador, que está no centro dos desafios do século XXI.

Do risco de cheias à segurança alimentar, da saúde respiratória ao jornalismo climático, cinco bolseiras apoiadas pelo Impact Center for Climate Change mostram como a investigação académica pode gerar soluções concretas para mitigar e adaptar a sociedade às alterações climáticas.

O painel de apresentação deu voz a projetos que cruzam ciência, território e impacto social. Chaima Badri, mestranda em Geociências na Universidade do Minho, apresentou um estudo sobre o risco de cheias na região do Cávado, focado na transformação de dados dispersos em ferramentas operacionais de apoio à decisão, ao ordenamento do território e à proteção civil. Na área da agricultura e da segurança alimentar, Clara Konrad investiga o papel da prolina (um aminoácido, um dos “tijolos” que formam as proteínas) como mecanismo de proteção das plantas ao stress térmico. Júlia Trancho, por sua vez, analisa os processos moleculares da reprodução vegetal e a sua sensibilidade às ondas de calor. Na área da saúde, Ana Baptista estuda o impacto ambiental dos inaladores usados no tratamento da asma, procurando alternativas mais sustentáveis. Por fim, Matilde Inês analisa a cobertura televisiva das ondas de calor em Portugal, defendendo uma comunicação científica clara e responsável para a proteção da saúde pública.

CINCO INVESTIGADORAS COM SOLUÇÕES CONCRETAS

Do risco de cheias à segurança alimentar, da saúde respiratória ao jornalismo climático, cinco bolseiras apoiadas pelo Impact Center for Climate Change mostram como a investigação académica pode gerar soluções concretas para mitigar e adaptar a sociedade às alterações climáticas. O painel de apresentação deu voz a projetos que cruzam ciência, território e impacto social. Chaima Badri, mestranda em Geociências na Universidade do Minho, apresentou um estudo sobre o risco de cheias na região do Cávado, focado na transformação de dados dispersos em ferramentas operacionais de apoio à decisão, ao ordenamento do território e à proteção civil. Na área da agricultura e da segurança alimentar, Clara Konrad investiga o papel da prolina (um aminoácido, um dos “tijolos” que formam as proteínas) como mecanismo de proteção das plantas ao stress térmico. Júlia Trancho, por sua vez, analisa os processos moleculares da reprodução vegetal e a sua sensibilidade às ondas de calor. Na área da saúde, Ana Baptista estuda o impacto ambiental dos inaladores usados no tratamento da asma, procurando alternativas mais sustentáveis. Por fim, Matilde Inês analisa a cobertura televisiva das ondas de calor em Portugal, defendendo uma comunicação científica clara e responsável para a proteção da saúde pública.

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